História
Linha do Tempo.
Na época do regime militar brasileiro, as duas entidades de representação
nacional do Cooperativismo divergiam entre si: Aliança Brasileira de
Cooperativas (ABCOOP) e União Nacional das Associações Cooperativas (Unasco).
A conseqüência mais direta era não ter suas necessidades atendidas pelo Estado.
Mesmo assim, o Estado tinha interesse que o movimento se consolidasse. A
grande força cooperativa na época estava no campo. E o governo via no setor
o apoio necessário para realizar sua política econômica para a agrícola.
Essa foi a percepção do então ministro da Agricultura, Luiz Fernando Cirne
Lima, que em 1967 solicitou ao secretário de Agricultura do Estado de São
Paulo, Antonio José Rodrigues Filho, já uma liderança cooperativista, que
promovesse a união de todo o movimento.
Em 2 de dezembro de 1969, foi criada a Organização das Cooperativas Brasileiras,
durante o IV Congresso Brasileiro de Cooperativismo. A entidade veio substituir
a ABCOOP e Unasco. A unificação foi uma decisão das próprias cooperativas.
Década de 70
Em 8 de junho de 1970 a OCB foi registrada em cartório, ato que formalizou sua
existência como entidade uma, representativa e defensora dos interesses do
Cooperativismo brasileiro. A Assembléia Geral Extraordinária de 30 de junho de
1970 aprovou o Estatuto Social da OCB e empossou sua diretoria com mandato até 1973.
A partir daí, iniciou a luta da diretoria para conquistar amparo legal para o sistema
cooperativista brasileiro. O resultado veio em seguida com a promulgação da Lei 5.764,
em 16 de dezembro de 1971. Esta lei substituiu toda a legislação anterior a respeito
do Cooperativismo e reuniu os vários aspectos do movimento, incluindo a unificação do
sistema em torno da representação única pela OCB.
Apesar de prever uma grande ingerência do governo - o Cooperativismo passou a ser
fiscalizado, controlado e fomentado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma
Agrária (Incra) e o Conselho Nacional de Cooperativismo (CNC) - a Lei 5.764/71 é um
divisor de águas para o movimento. A partir dela organizou-se e viabilizou-se a OCB,
que então pôde promover a organização das entidades estaduais representativas, uma
vez que passou a ser a representante única do Cooperativismo em âmbito nacional.
Com isso, as cooperativas passaram a se enquadrar num modelo empresarial, permitindo
sua expansão econômica e sua adequação às exigências do desenvolvimento capitalista
agroindustrial adotado pelo Estado.
Enfim, a primeira década de existência da OCB foi marcada principalmente pelo
trabalho de viabilizar o sistema.
Década de 80
Com uma vocação participativa e democrática, a entidade utilizou ferramentas nas
quais a maioria pudesse participar, opinar e decidir. Assim, ao longo dos anos 80
passou a promover eventos por todo o país, em que eram discutidos temas ligados ao
movimento e tomadas decisões fundamentais para o processo de consolidação e
aperfeiçoamento do Cooperativismo.
Em 1988, a OCB se filiou à Aliança Cooperativa Internacional (ACI). A partir daí,
a entidade promoveu eventos internacionais e viabilizou trocas de experiências entre
cooperativistas brasileiros e estrangeiros, fazendo com que o movimento nacional
passasse a acompanhar, participar e ajudar a definir as diretrizes do Cooperativismo
mundial.
Década de 90
A Secretaria Nacional do Cooperativismo (Senacoop) – que substituía o Incra nas
funções de controle do Cooperativismo – e o Conselho Nacional do Cooperativismo
(CNC) deixaram de tutelar para somente fomentar o movimento cooperativista, após a
Constituição de 1988. Ainda era preciso uma legislação específica para criar
mecanismos de autogestão para as cooperativas.
O cooperativismo agropecuário, até então o principal ramo em atividade no Brasil,
sofria com os sucessivos planos econômicos do governo. Programas que buscavam a
liberalização da economia e a redução da intervenção do Estado na agricultura
provocaram o endividamento dos produtores rurais e das cooperativas agropecuárias.
A OCB e lideranças cooperativistas do Brasil encontraram uma saída para o caos:
tornar o cooperativismo competitivo numa economia de mercado. Para tanto, dois
programas foram desenhados, mas que só dariam resultado se fossem aprovados
juntos pelo governo.
O primeiro previa a liberação de recursos para as cooperativas que apresentassem
um projeto de reestruturação completo, que as tornasse auto-sustentáveis. O segundo
viabilizava a efetiva implementação do Programa de Autogestão. Assim, em 3 de
setembro de 1998, o governo editou a Medida Provisória 1.715, criando o Programa
de Revitalização das Cooperativas Agropecuárias (Recoop) e o Serviço Nacional de
Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop).
Anos 2000
Em 2004 a OCB se constituiu de oito órgãos: Assembléia Geral, Diretoria Executiva,
Conselho de Administração, Conselho Fiscal, Conselho de Ética, Conselhos Nacionais
Especializados por Ramos, Conselho Técnico Sindical e Superintendência..